Literacia Financeira e Empreendedorismo
A Reciclanda propõe dinâmicas e jogos cantados em articulação com as estratégias, aprendizagens e ações de Educação para a Cidadania, Educação Ambiental e a animação dos recreios enquanto espaços criativos de diversão, socialização e desenvolvimento.
Poemas, lengalengas e provérbios podem ser acompanhados com percussão, em pares, ou com instrumentos feitos de objetos reutilizados. O diálogo e debate ajuda os alunos a raciocinar, interagir e resolver dificuldades.
Indicação especial:
31 de outubro (Dia Mundial da Poupança)
Como gerir o orçamento familiar
O Zé tem dificuldades. A Prudência aconselha.
– Diz-me lá como se poupa,
não me quero endividar.
– É preciso fazer contas
e ser bom a trabalhar!
– Aprendi a fazer contas.
Como é isso de poupar?
– Anda mais de bicicleta,
deixa o carro a descansar.
– Diz- me lá como se gere
com a renda a aumentar.
– Vê se aumentas a receita,
ou se há algo onde cortar.
– A comida está tão cara.
Onde é que isto vai chegar?
– Não abuses das doçuras.
Salgadinhos? Nem pensar?
– A bebida está tão cara.
Onde é que isto vai parar.
– Bebe água ou refresco.
Vinhos caros, nem pensar!
– Tenho de pedir dinheiro
que um Mercedes vou comprar.
– Compra um carro acessível.
Não te deixes deslumbrar!
– Gosto de ir ao restaurante
c’os amigos almoçar.
– Faz em casa o almoço
Sapateira? Nem pensar!
– Já o dinheiro encolheu,
‘inda o mês sta a começar.
– Ricos lanches no café?
Come em casa, vais gostar.
– Inscrevi-me no Ginásio,
ando mesmo a precisar.
– Porque não cuidar da horta?
O planeta vai ganhar.
– Quero ir à Disneylândia,
tenho vindo a adiar.
– Pensa nas prioridades,
antes de o realizar.
– Para a Champions, o Benfica
vai ao Mónaco jogar.
– Vais a um jogo ao estrangeiro
e depois tens de poupar?
– Vou de férias às Bahamas
se o Banco me emprestar.
Ir de férias para as Bahamas?
Não estás a exagerar?
António José Ferreira
Descrição:
Vários adultos/alunos colocam questões. Os dois primeiros versos são dúvidas são ditos por voluntários; a Dra. Prudência (um pequeno coro) responde (com alguns excessos, ou não).
Vamos lá poupar
Vamos lá poupar,
pensa no ambiente.
Faz a escolha certa,
sê inteligente.
Vamos reciclar,
pensa no futuro.
Se não o fizeres
vai ser bem mais duro.
Vamos trabalhar
e ganhar a vida.
Fazer bem as contas
ao comprar comida.
Para ter um jogo
já guardei dinheiro.
Se me derem notas,
vão para o mealheiro.
António José Ferreira
Dinâmica
Depois de recitar ou cantar as quadras, a turma debate opções de vida sustentável, como alimentação saudável, transportes ecológicos e andar a pé.
O professor entrega a crianças paus reutilizado feito de cana ou de cabo de vassoura (a simular guiador de mota ou bicicleta ou trotinete) e tampas de balde de azeitona que fazem de volante de automóvel ou autocarro. Voluntários são peões prudentes que usam passadeiras, onde têm prioridade. Enquanto um pequeno grupo canta uma quadra, os ciclistas e peões circulam dando atenção ao outro, respeitando o sinal STOP e evitando choques.
Os quatro cantos da sala são áreas de negócio a brincar: uma padaria, uma livraria, um supermercado e uma farmácia, por exemplo. As crianças podem parar e adquirir produtos, pequenos objetos reutilizados, e imitam gestos de adultos em transações comerciais, pagando em numerário ou com cartão.
Provérbios aumentados
O saber não ocupa lugar.
Há que aprender a gerir e a poupar.
Provérbios, ditados populares ou adágios são expressões de saber anónimo em forma de frase curta e fácil de memorizar. Comuns em muitas culturas há milhares de anos, são veículos de transmissão de conhecimentos. (Na verdade, há lugares que só se ocupam com saber).
Água mole em pedra dura,
tanto bate até que fura.
Se tens algo a conquistar,
não desistas de lutar.
A persistência é fundamental para se conseguir algo significativo. As dificuldades são um teste aos projetos e à perseverança. Muitas vezes, os sonhos só se alcançam com dinheiro, embora o dinheiro não garanta a felicidade. (Na verdade, a água mole pode furar a pedra, mas a ação é bem lenta).
Quem não tem cão
caça com gato.
Quem não tem garfo,
come do prato.
A necessidade leva a criar os meios para alcançar objetivos. Há que recorrer a instrumentos alternativos ou criá-los, em vez de desistir. A escola que não tem tambores tradicionais caros pode reutilizar baldes e arranjar baquetas. (Na verdade, caçar com gato é muito improvável).
A necessidade aguça o engenho.
A urgência leva pessoas a criarem soluções inovadores que resolvem a dificuldade do momento e se tornam importantes para a humanidade. A criação de instrumentos e brinquedos com materiais reutilizados desenvolve a criatividade e aumenta os recursos preservando o ambiente. (Na verdade, a necessidade aguça o engenho em quem tenha disponibilidade para isso).
Cada macaco no seu galho.
Diz, se és capaz, eu nunca falho.
Cada um deve preocupar-se com o que lhe diz respeito, não interferindo com a vida dos outros. Em contexto profissional cada um não se deve intrometer em assuntos que não são da sua alçada ou para os quais não está preparado. (Na verdade, nenhum macaco não está sempre no mesmo galho).
Diz-me com quem andas,
dir-te-ei quem és.
As pessoas de quem nos rodeamos influenciam o nosso comportamento e o que os outros pensam de nós. (Na verdade, também nós podemos influenciar positivamente quem nos rodeia, e não se pode agir com receio do que os outros pensarão, mas com base em valores e convicções).
A cavalo dado,
não se olha o dente.
Ao recebermos uma oferta, é gentil mostrar satisfação mesmo que não seja do seu total agrado. Há objetos, livros e brinquedos que, não sendo novos podem ser muito úteis.
No poupar é que está o ganho.
Por mais rendimentos que receba, se não tiver o hábito de colocar uma percentagem de lado, não conseguirá aumentar a sua fortuna nem acautelar imprevistos como crises ou doença. Aforrar ajuda a construir um fundo de emergência e permite que o dinheiro cresça com o tempo.
O dinheiro não cai do céu.
Para obter rendimentos é preciso trabalhar. Sem esforço é quase impossível aumentar os bens pessoais, e mesmo trabalhando, muitas vezes não é fácil, tendo em conta os gastos com habitação, alimentação e transportes. É pedagógico educar os mais jovens com a noção de que os pais se sacrificam e trabalham: por vezes, não é possível terem certos jogos, brinquedos ou roupas caras.
Grão a grão, enche a galinha o papo.
Moeda a moeda, enche-se o mealheiro.
Com paciência, criatividade e trabalho, é possível juntar dinheiro e criar a sua almofada financeira. (Na verdade, a galinha só enche o papo se procurar os grãos, seja na horta ou na capoeira).
Não gastes o que não tens.
Não contes com o ovo no cu da galinha.
Não se pode contar com aquilo que ainda não se concretizou. É sensato viver tendo em conta as possibilidades financeiras, evitando o sobre-endividamento. Só desta forma se gere bem o orçamento familiar.
Não coloques todos os ovos no mesmo cesto.
Em termos de finanças, é importante diversificar os investimentos. É arriscado concentrar todos os recursos num único produto. Ao diversificar os investimentos, os riscos são mais reduzidos.
Mais vale tarde que nunca.
Nunca é demasiado tarde para começar a poupar, principalmente para a reforma. O mesmo se aplica à importância de persistir para alcançar os objetivos e de lutar pelos seus sonhos. Ou simplesmente dedicar-se aos estudos, ser solidário, ser gentil.
Quem não arrisca não petisca.
Embora seja importante diversificar os investimentos e colocar uma percentagem do aforro em produtos seguros, os investidores que sabem arrisca têm mais hipóteses de conseguir rendimentos superiores.
Fonte: Santander
Aprendizagens em Educação para a Cidadania
- Compreender a importância da poupança e os seus objetivos.
- Reconhecer a importância da tomada de decisão e a necessidade de fazer escolhas que impliquem ganhos ou perdas.
- Relacionar contas bancárias e meios de pagamento.
- Distinguir necessidades de desejos e rendimentos de despesas.
- Identificar atividades de empreendedorismo.

Ações
- Leitura de histórias que permitam explorar atitudes e comportamentos sobre os temas em questão.
- Dramatizações que permitam explorar atitudes e comportamentos.
- Situações de jogos alusivos aos temas.
ENEC
Promover a aquisição de conhecimentos, capacidades, valores e atitudes no domínio financeiro e utilizá-los para tomar decisões informadas sobre recursos financeiros, orçamento, poupança e investimento, fomentando o espírito de iniciativa, a criação de valor, a proatividade, a curiosidade, a perseverança para alcançar objetivos, a ética e a responsabilidade social, no sentido de preparar as crianças e os jovens para enfrentarem desafios económicos e sociais do mundo contemporâneo. (ENEC, 5)
Notícia
A 20 de outubro de 2025 o Ministério da Educação, Ciência e Inovação anunciou a iniciativa “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro”, iniciativa inédita a promover em parceria com as Autoridades de Supervisão Financeira. No dia 31 de outubro, Dia Mundial da Poupança, junta os estudantes do Ensino Superior, de áreas como a economia, gestão, finanças ou contabilidade aos professores de Cidadania para darem uma aula em todas as escolas do país sobre Literacia Financeira com o foco na poupança. Saber gerir dinheiro, compreender decisões económicas e fazer escolhas conscientes, com o olhar no futuro, são competências fundamentais para a vida adulta e em sociedade. Cada um pode fazer a diferença na construção de uma sociedade mais informada, mais justa e mais participativa.
