Gato, foto INOVA

Apanhadas e recreio ativo

A Meloteca promove, desde a criação das Atividades de Enriquecimento Curricular em 2007, jogos de apanhada, apanhadinha, ou caçadinha, criando rimas em torno de predadores e presas que existem nos ecossistemas. As inúmeras ações realizadas no âmbito das AEC envolvem música e atividade física. Com a Reciclanda pretendem tornar mais ativos os  recreios, promovendo o empreendedorismo e a brincadeira autónoma dos alunos. Sem necessidade de investimento em materiais, os jogos Reciclanda contribuem para o desenvolvimento global da criança, ajudando-as a assimilar conteúdos de Estudo do Meio, História e Língua Portuguesa.

As apanhadinhas são indicadas para o Dia Mundial do Animal, 4 de outubro; Dia Internacional da Vida Selvagem, 3 de março; Dia Nacional do Mar, 16 de novembro (se forem marinhos).

A raposa e os coelhos

Ai que cauda tão vistosa!
Ai que lindo o focinho!
É decerto uma raposa
procurando coelhinho.

Fox!

A brincadeira musical da raposa faz sentido num espaço amplo ou, sobretudo, ao ar livre. Seja no 1º Ciclo ou no Jardim de Infância, as crianças vivenciam em jogo as relações de predador/presa na natureza e brincam com isso fazendo de conta.

O gestor do diz diz ou canta e a turma imita-o. Pode-se cantar com uma melodia simples, conhecida ou inventada; ou pode-se declamar simplesmente de uma forma expressiva e com ritmo. Depois, as crianças dispersam-se, mantendo uma distância de um metro.

Uma criança (ou duas) fará de raposa; as outras serão galinhas e coelhos. Há um local (galinheiro) para onde as galinhas poderão fugir e a raposa não conseguirá caçá-las. Outro local será a toca, onde os coelhos estarão em segurança.

O gestor do jogo explica que a raposa também come ratos, escaravelhos, ouriços, perdizes e lagartixas. Se alguém quiser, pode representar esses animais. Movem-se num espaço designado por “monte”. Para confundir e atrapalhar a raposa, uma criança fará de dono, podendo mesmo defender as galinhas.

Quando o professor disser “Fox”!, começa a caçada. Enquanto o professor improvisar, em tambor de mão, a raposa pode caçar. As presas que foram apanhadas ficam fora da jogada. Quando terminar, dando um toque de regresso assertivo no tambor, combinado com a turma, termina a caçada e as crianças voltam aos seus lugares. A raposa cessante nomeia nova raposa, e assim sucessivamente.

Caça na savana

Se nasceste na savana
Tu precisas de saber
Como deves atacar,
Como podes defender.

1. Foge zebra, foge impala,
Corre e salta sem parar.
Vai a perseguir-te um tigre
Pronto p’ra te devorar.

2. Fujam búfalo e gazela,
Corram, corram sem parar.
A correr há uma leoa
Que vos quer para o jantar.

3. Foge hiena, foge gnu,
Corre, corre sem parar.
A correr vai um leão
Pronto p’ra te devorar.

Uma criança faz de predador, as outras de presas. Há no recreio uma área protegida aonde o predador não consegue chegar. O predador só ataca quando o professor tocar um padrão rítmico combinado com a turma. Quando der o toque de fim de caçada todos voltam junto do professor e é escolhido um novo predador.

Pesca no mar

Fica atento, salmonete,
Tu também, ó bacalhau!
Fujam, cherne e corvina,
Peixe galo e carapau.

Ainda por aí um barco,
Anda à pesca da dourada.
Fica alerta cantarilha,
Tu também, ó peixe espada.

Fica atento, ó goraz,
Fica atento, ó linguado.
Se na rede tu caíres,
Vão levar-te para o mercado.

Há uma área que funciona como mar. As crianças designadas peixes podem andar nesse espaço, mas com cuidado. Uma criança faz de pescador. Se este lhes tocar, são pescadas e ficam fora de jogo.

Animais da selva

Se és um animal da selva
tu precisas de saber
como deves atacar,
como podes defender.

O coiote

Fica atento, ó veado,
Vós também, cobra e bezerro.
Andam por aí chacais:
Distração é um grande erro!

Comem carne, comem peixe,
Comem fruta os coiotes.
Caçam alces e ovelhas
Para si e p’ra os filhotes.

Depois de as crianças aprenderem a quadra/canção, um grupo executa, enquanto o outro participa na “caçada”. Animais muito atentos e rápidos, os coiotes usam a visão e audição para caçar. Têm preferência por coelhos, veados, alces, pássaros, cobras, lagartos, peixes, ovelhas, bezerros. Voluntários representam estas presas, enquanto outros fazem de coiotes, num espaço amplo mas devidamente limitado. Enquanto o grupo canta, decorre a “caça”. Se dois veados conseguirem juntar-se, costas com costas e com as mãos a representar a armação, o coiote não pode vencê-los. Quando o professor percute um padrão ritmo que funciona como senha, o coro para e a caçada acaba também. Os papéis de presa e predador mudam na jogada seguinte.

Pesca no rio

Fujam carpa e enguia,
Fujam barbo e salmão.
Há um pescador à espreita
Para vos deitar a mão.

Fujam sável, peixe-gato,
E boga do Guadiana.
Há um pescador na margem
A pescar co’a sua cana.

Fica atento, ó bordalo!
Nada de morder o isco!
Há pescador à espera
de tornar-te um petisco.

Depois de as crianças aprenderem as quadras/canção, um grupo executa-a com acompanhamento de tambor – como apoio, sem cobrir as vozes, enquanto o outro participa na “pesca” de rio. Voluntários representam peixes referidos na cantilena, e uma ou mais crianças representam o “pescador”. Este encontra-se na “margem” e não pode entrar na água do rio mas tem um anzol, que é uma bola leve e maleável. Quando atingir um colega (“peixe”) nas costas ou na barriga, conseguiu “pescá-lo”. O espaço deve ser amplo mas devidamente limitado, de preferência no exterior. Enquanto o grupo canta, decorre a “pesca”; quando o professor toca um padrão rítmico combinado, que funciona como senha, acabou. Os papéis mudam na jogada seguinte.

Puma

Atenção, veado e lince,
Fujam alce e carneiro.
Anda por aí um puma,
Rápido e sorrateiro!

Répteis, aves, peixe, insetos,
Também estão na sua lista.
Estejam muito, muito atentos
Que ele é oportunista.

Depois de as crianças aprenderem as quadras/canção, um grupo executa com acompanhamento de tambor – como apoio, sem cobrir as vozes – enquanto o outro participa na “caçadinha”. Voluntários representam presas referidas na cantilena, e uma ou mais crianças representam o “puma” (animal que também tem o nome de onça parda). O espaço deve ser amplo mas devidamente limitado, de preferência no exterior. Enquanto o grupo canta, decorre a “caçada”; quando o professor toca um padrão rítmico combinado, que funciona como senha, acabou a caçada. Se dois alces ou veados se juntarem, costas com costas e com as mãos a representar as armações, o puma não pode vencê-los. Os papéis de presa e predador mudam na jogada seguinte.

Rebanho e o lobo

O Rebanho das ovelhas
Segue sempre o seu pastor.
Tem cuidado com o lobo
Que é um grande predador!

As crianças estão dispersas num espaço amplo, de preferência ao ar livre, não muito longe do professor. Uma criança fará de pastor, com um cajado maleável que não magoe. Outra criança fará de cão-pastor (cão da Serra da Estrela ou cão da Serra de Aires, raças portuguesas). Quando o cão se aproxima, o cão e o pastor reúnem o rebanho. Se o cão tocar no lobo, ele perde e acaba a jogada; e o mesmo acontece com o pastor. Se o lobo agarrar o pulso de uma criança, ganha uma ovelha para o jantar.

Lobo

Logo que nasci eu era
cego, surdo, dependente;
só depois saí da toca
para me tornar valente.

Como ovelha, javali,
Alce, lebre e veado.
Para uma caçadinha
Estou sempre preparado.

O professor nomeia o predador (lobo) e todos os outros podem escolher entre veado, alce, javali, coelho, lebre, ovelha. De preferência é o predador a cantar ou dizer as quadras com expressividade e intensidade. No fim das quadras, começa a caçada. Se conseguirem, as presas podem refugiar-se num lugar previamente marcado como seguro para elas e inacessível ao lobo. Em seguida, sem deixar a caçadinha prolongar-se, o professor nomeia outra criança para fazer de lobo.

Predador e presas

Predador é o que caça,
Presa é o que é caçado.
Se eu fosse um crocodilo
Já te tinha devorado.

Predador é o que caça,
Presa é a que foi comida.
Anda sempre com cuidado
Se é que tens amor à vida.

Num espaço amplo, o professor nomeia um predador (crocodilo do Nilo) e todos os outros são zebras. Estas podem refugiar-se num lugar previamente marcado como seguro para zebras e inacessível ao crocodilo. Depois de o crocodilo apanhar uma presa, o professor toca um padrão rítmico rápido e forte, de regresso, e nomeia outro predador. Não se deve deixar a caçadinha prolongar-se, para evitar o cansaço e permitir que todos possam fazer de predador.

Herbívoros e carnívoros

Alguns animais da selva
Comem erva, outros não.
Quem come erva tem cuidado
Com o tigre e o leão.

O leão é tão veloz,
Ágil e inteligente.
Quando pensas que está longe,
Aparece de repente!

O professor nomeia uma criança para fazer de predador enquanto todos os outros farão de presas de um mesmo habitat. As presas podem refugiar-se num lugar previamente marcado como seguro e inacessível ao predador mas, para isso, têm de ser rápidas a chegar lá. Quando o professor acaba de cantar e diz “Foge!”, o leão ataca e as presas tentam chegar ao local seguro. Estas podem também jogar com a sua agilidade na fuga se sabem que são mais rápidas do que o predador (a vida é feita de riscos). O professor verifica quem são os alunos mais ágeis e que arriscam mais. Sem deixar a caçadinha prolongar-se, o professor nomeia, depois, outro predador.

O falcão e as lebres

Elas movem-se entre as ervas
A comer com atenção
P’ra não serem apanhadas
pelas garras de um falcão.

É curtinha a sua cauda,
As orelhas são compridas.
Tornam-se muito velozes
Sempre que são perseguidas.

Em espaço amplo, o professor diz a adivinha e verifica se alguém descobre a solução (lebre, parecida mas maior do que o coelho). O professor nomeia uma criança para fazer de predador (falcão) enquanto todos os outros farão de presas de um mesmo habitat. As presas podem refugiar-se num lugar (toca) previamente marcado como seguro e inacessível ao predador mas, para isso, têm de ser rápidas a chegar lá.